George Vaillant

Adoro o George Vaillant. Acompanho o trabalho dele a muito tempo, Ele foi uma das minhas inspirações quando criei o Vivendo Além Do Divã Segundo ele, não é a alimentação, rotina, riqueza, genética, escolha profissional e nem o sucesso que fazem uma pessoa saudável, mas sim os seus relacionamentos afetivos. Logo abaixo, inseri uma entrevista que ele concedeu para a revista Veja, em 1999.

 

Entrevista: George Vaillant – Revista Veja

 

Entrevista concedida à Lucila Soares editora chefe da revista Veja pelo médico americano Dr. George Vaillant em Agosto de 1999.

 

 Dr. George Vaillant  “O álcool é um mal tranquilizante, torna pessoas infelizes mais infelizes ainda”

 

 

O estudo do alcoolismo começou para o psiquiatra americano George Vaillant apenas como a chance de obter uma bolsa na Universidade Harvard. E virou uma paixão que já dura quase trinta de seus 65 anos. Na origem dessa paixão está a maior pesquisa já feita sobre o tema no mundo. Durante cinqüenta anos, pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, acompanharam a vida de 600 homens para identificar as causas de um problema que atinge 10% da população mundial – ou seja, 600 milhões de pessoas. Essa empreitada monumental é o fundamento do livro A História Natural do Alcoolismo Revisitada, escrito por Vaillant com base na pesquisa, da qual foi coordenador por duas décadas. É considerada uma das obras mais importantes sobre o assunto. As histórias dessas pessoas o levaram a conclusões originais. Uma delas é que, ao contrário do que defendem muitos especialistas, não existe o gene do alcoolismo, e sim um conjunto de genes que tornam o indivíduo vulnerável à dependência de álcool. “É uma doença provocada por múltiplos fatores, um drama que envolve praticamente todas as áreas da medicina”, diz Vaillant, que participou na semana passada, no Rio de Janeiro, do 13º Congresso Brasileiro de Alcoolismo.


‘O porre é grotesco’:

Veja – Nesses quase trinta anos estudando o alcoolismo, qual a principal conclusão a que o senhor chegou?
Vaillant – Minha principal convicção hoje é que o alcoolismo é um problema de dimensões trágicas ainda subdimensionadas. O maior dano do alcoolismo é a destruição de famílias inteiras. Para citar um só exemplo: nos Estados Unidos, 50% de todas as crianças atendidas nos serviços psiquiátricos vêm de famílias de alcoólatras. E boa parte dos abusos cometidos contra crianças tem raiz no alcoolismo.

Veja – Há muita divergência entre especialistas na definição do que seja alcoolismo. Suas pesquisas concluem que é um sintoma ou uma doença?
Vaillant – Sem sombra de dúvida é uma doença. O alcoolismo é resultado de um cérebro que perdeu a capacidade de decidir quando começar a beber e quando parar. Os japoneses têm um provérbio que diz “Primeiro o homem toma uma bebida, e depois a bebida toma o homem”. O indivíduo alcoólatra é alguém que perdeu a liberdade de escolha. A questão é que esse limite é muito tênue. Há muitas nuances, inclusive no diagnóstico. O ponto exato no qual o abuso que leva alguém a ser preso por dirigir alcoolizado merece o rótulo de alcoolismo é tão incerto quanto o limite entre o amarelo e o verde no espectro de cores.

Veja – Culturalmente o álcool é associado a alegria e festas. Isso não acaba estimulando o consumo excessivo de bebida?
Vaillant – A associação de bebida a festas é ancestral, e ela em si não é nociva. Mas seria bom que a embriaguez fosse encarada como algo grotesco. Não associá-la a alegria e diversão faria muita diferença. Nossa cultura está começando a achar que o cigarro é ruim. No entanto continuamos achando que ficar bêbado numa festa é divertido. E as autoridades não estão tão preocupadas com essa mudança de mentalidade como estão em relação ao cigarro. Já existe a preocupação de não associar fumo a bom desempenho em esportes, por exemplo. Em relação ao álcool, nenhuma medida efetiva vem sendo tomada. Só que, do ponto de vista da sociedade, o álcool é um problema muito grave. O indivíduo alcoólatra provoca acidentes de trânsito e sofre de problemas de fígado. Porém o maior mal é que ele provoca problemas graves a sua volta, a começar por sua família.

Veja – Qual sua avaliação sobre os Alcoólicos Anônimos?
Vaillant – Como terapia, é parecida com as terapias behavioristas, que pretendem obter uma determinada mudança de comportamento. A diferença é que é um tratamento muito barato, e que dura para sempre. Além disso, tem um componente espiritual importante. Terapias ajudam a não beber, mas os Alcoólicos Anônimos dão ao indivíduo um círculo de amigos sóbrios. Dizem que é preciso ficar abstêmio, mas lhe dão significados, amigos, espiritualidade. É o melhor tratamento que temos

Fonte: Revista Veja

 

ENCONTROS E DESENCONTROS NAS  RELAÇÕES AFETIVAS

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